Quando decidi começar este blog, imaginei a Mãe à Portuguesa como um site de partilha de informações sobre maternidade.
Queria partilhar informações objetivas como mudar uma fralda a um recém-nascido, ou que alimentação fazer durante a gravidez ou que atividades fazer com as crianças. Acima de tudo queria dar-te dicas e sugestões sobre tudo o que tu, como mãe, procuras em momentos que te sentes perdida e não sabes muito bem o que deves fazer.
Existe um mar de informações lá fora e muitas vezes eu sei que não sabes que linha deves seguir. Digamos que idealizei este blog como um manual de como ser mãe, onde encontras respostas aquilo que procuras. E atenção! Em parte, este blog continua a ter esse objetivo.
Mas sabes, a maternidade é muito mais do que partilhar informações objetivas. A maternidade é partilhar experiências pessoais, vivências e pensamentos.
Às vezes uma mãe não procura nada em específico. Procura apenas saber que existem outras mães que estão a passar pelo mesmo que elas. Nós estamos todas no mesmo barco. Caramba! Isto é difícil, muito difícil!
Como podes imaginar, por vezes, a minha vida com dois filhos pequenos é uma loucura. Aliás, é assim a maior parte das vezes!
E sabes o que me ajuda a ultrapassar momentos desesperantes?
Simplesmente ligar a internet, pesquisar e ler experiências de vida de outras mães.
E sabes o que me ajuda ainda mais?
Escrever!
Escrever sobre o que me vai na alma, para organizar os meus problemas, minimizar todos esses pensamentos e preocupações e não dar em louca. E foram nesses momentos que comecei a pensar melhor sobre o que queria para este blog.
Eu não preciso de um blog cheio de SEO (Search Engine Optimization), para conseguir ter um alcance maior de pesquisas no google. De alguma forma, encontraste-me no meio de tantos blogs sobre maternidade e de alguma forma estás a ler este Post. E isso chega-me!
Preciso deste canto! Este meu canto de Conversas de mãe ou como eu digo sempre, conversas de lavar a alma.
Por isso aqui vai, este novo capítulo da Mãe à portuguesa.

O que são Conversas de lavar a alma?
Primeiro que tudo, vou explicar-te o que é isto de Conversas de lavar a alma.
Quando era adolescente, passei por imensas fases em que tudo estava mal na minha vida, tudo era um problema e achava que nada tinha solução. Nada de anormal! Acho que qualquer adolescente passa por essas fases.
Nessa altura, tinha por hábito ir lanchar fora com a minha melhor amiga, para podermos pôr a conversa em dia. Ela, tal como eu, tinha tantos outros problemas. Eram lanches que duravam horas e o tempo passava a correr. Conversávamos o tempo todo.
Isto para te dizer, que essas conversas eram de lavar a alma. Pelo menos era assim que eu as chamava (e ainda chamo).
Eu acabava o dia com os mesmos problemas e crises de identidade, mas a forma como via tudo, mudava! Chegava a casa, conseguia respirar profundamente e estava muito mais calma.
E estas conversas são apenas isso!
Conversas, de deitar tudo o que estamos a pensar, cá para fora e esvaziar o saco que fomos enchendo.
A realidade com dois filhos pequenos
Atualmente por aqui esse saco está a transbordar!
Ser mãe é o melhor que alguma vez podia ter imaginado. Não mudaria uma vírgula e amo os meus filhos acima de tudo. Mas os meus filhos (e possivelmente os teus, também) conseguem sugar-me as minhas energias.
Ainda estava eu grávida, e já sentia que vinha aí um grande desafio. Aliás, já nesta fase, precisei desabafar sobre as dificuldades da maternidade da altura.
Entretanto, o M. (o meu segundo filho) nasceu e tirei cerca de 1 ano de licença de maternidade. Algo muito normal, aqui na Alemanha.
Como mulher que sou, fiz os meus floreados.
E como que uma criadora de conteúdo-super-mãe, daquelas que vejo nos vídeos do YouTube, imaginei um ano em que iria estar em casa a cuidar dos meus filhos, cuidar da casa e do homem, e nos entretantos iria finalmente escrever mais Posts para este blog e fazê-lo crescer.
E este pensamento louco, só poderia ser mesmo culpa das hormonas. Enfim! Passado esse ano sabes quantos artigos consegui publicar?
UM! Apenas um.
E esse, já estava pré-feito, ainda estava eu grávida. Em um ano não consegui fazer mais nada para além de cuidar de uma criança pequena e um bebé. E nem vamos falar de como foi cuidar da casa!
Foi viver constantemente em modo de sobrevivência.
Os dias passavam a correr, chegava a noite e eu não tinha energia para mais nada. Apenas queria sentar-me no sofá meia hora! Só isso, 30 minutinhos. Isto, até que o M. acordasse a primeira vez (das mil vezes que ele ainda ia acordar).
Queria esses 30 minutos para mim, para respirar fundo, chorar muitas vezes, queixar-me ou ter um pouco de tempo de qualidade com meu o homem.
E foram meses e meses assim. Sempre à espera que viesse uma boa fase. Aliás, até à bem pouco tempo foi assim. E ainda é às vezes!
Essas boas fases foram vindo e indo. Duravam tão pouco tempo que só hoje, olhando para trás é que percebo que foram de fato fases mais calmas e serenas.
A Pediatra dos meus filhos, uma vez disse-me que o primeiro ano de um bebé é assim. Temos fases boas e fases menos boas. E que devemos aproveitar muito bem as boas, porque elas passam muuuito depressa. E só posso concordar!
A vida com dois filhos é como uma montanha-russa! E como uma montanha-russa que é, dá medo, aumenta a adrenalina e provoca stress. Mas não deixa de dar um gozo do caraças.
Este primeiro ano de maternidade, com dois filhos pequenos, foi sem dúvida o mais difícil até agora. Senti e sinto-me muitas vezes a afogar-me. E por vezes, penso que não consigo chegar lá acima, à tona da água, para respirar. Umas vezes consigo por mim, outras vezes, é o meu homem que me vai buscar lá abaixo.
Por isso mamã, a maternidade é uma benção! Sem discussão. E todos os dias devemos agradecer estes seres fantásticos, que nós trouxemos à vida.
Mas caramba! Também nos podemos queixar!
Nem tudo é um mar de rosas e tolo é aquele que pensa, que tudo são corações e passarinhos.

E tu?
Como foi o primeiro ano de vida com o teu bebé?
Como te estás a aguentar?
Fica à vontade para partilhar histórias e aventuras deste mundo louco da maternidade.